Durante um bom tempo vamos
falar de especiarias e pegando carona nelas, viajar mundo
afora. Começaremos pelo cartuchinho mais caro de
todas elas, o cardamomo.
Cardamomo verde, ou cardamomo
pequeno (Elettari cardamomum, Epeces amomum/afromomum, Elachi
(hind.) ou Chota elachi (cardamomo pequeno) – Em bengali,
é conhecido também como garati. A parte usada
é formada por um cartucho cheio de grãos.
Já era usado na Grécia e na Roma Antiga, na
preparação de perfumes e de receitas culinárias.
Muito estimado por suas capacidades digestivas e de refrescar
o hálito. No Sul da Índia, o cardamomo é
um dos produtos de maior importância nas diversas
receitas para a culinária, perfumes e uso terapêutico,
além de ocupar lugar de grande importância
na economia local. Em todas as áreas sob a influência
islâmica, é tido em grande estima; é
curioso saber que entre os beduínos é exigido
que o cardamomo que aromatiza o café das visitas,
lhes seja previamente apresentado. Sua aparência redonda,
perfeita (sem defeitos), traduz sua boa qualidade. Uma das
especiarias mais caras, o cardamomo só não
é mais caro do que o açafrão e a baunilha.
Cardamomo negro, ou cardamomo
grande (Amomum subulatum) (Roxb., ou Elleteria major) –
Seu habitat é nas montanhas ocidentais dos Himalayas,
no Nepal e em Sri Lanka, onde é muito usado. Em Bengala,
é conhecido como bara elaichi, em malayalam como
peri-elav, ou periya ellatari. O cardamomo negro se faz
imprescindível nos doces e nos masalas, e sua decocção
é usada não apenas como diurético e
digestivo, mas no combate a infecções, principalmente
na boca.
Especiarias 2
Hoje falaremos sobre o açafrão.
Planta baixa que produz flores violáceas, cada uma
tendo três estigmas, vermelho-escuro ou amarelo forte.
Estes estigmas são as partes usadas como especiaria.
Para que não haja confusão, pois seu gosto
é imbatível, seu nome grego é krokos
e o persa, zafaram ou zafrah; em árabe aparece como
zaffer; em francês safran; todos ligados ao persa.
Em hebraico, é o krakom do Cântico dos Cânticos.
Entre as receitas da Índia aparece em bengali como
Jafra; na área de Goa, em canara e concanim, como
kunkumakesara; em gujarati, keshar; em hindi, kesar ou zaffran;
em maharati, kecara; em tamil e malayalam, kunkumappu: mas
em sânscrito, aparece com diversos nomes; bhavarakta,
saurab, mangalya, agnishikha, kashmirajanma, mangal, kusurunam;
e em telugu, kunkumna-purru.
Os persas e árabes
usaram sempre esta especiaria, enquanto os primeiros a levaram
para o Sind, chegando à Índia por intermédio
dos persas. Mas foram os mongóis que expandiram seu
uso e suas plantações, no Vale do Kashmir.
Os árabes a introduziram na Espanha quando a invadiram,
e ali suas plantações se firmaram, principalmente
na região da Mancha, passando, no século XI,
à França, hoje também um dos seus grandes
produtores. A Inglaterra importava açafrão
do Oriente e passou a planta-lo em volta de Saffron Walden,
no Essex. Uma elevação no coração
de Londres guarda o nome de Saffron Hill (morro do açafrão).
O cultivo do açafrão
atualmente, vai da Mancha, na Espanha, à região
do Kuzeih, próximo ao Rio Youngaline, na Birmânia.
Trata-se da mais cara das
especiarias, com uma proporção que pode ser
estimada em 100 mil estigmas para cinco quilos de açafrão
fresco, dando um quilo de açafrão seco.
Nada mais delicioso do que um arroz de açafrão
com passas.
Especiarias 3
Já falamos do cardamomo
e do açafrão. Hoje nos estenderemos sobre
o feno grego, nativo da Índia e da Ásia Menor
utilizado até em curas do câncer. Trigonella
foenum-graecum em latim, Methi em hindi, desde a Antiguidade
popular como especiaria, erva medicinal e tempero, o feno-grego
ou trigonela, hoje é cultivado em quase toda a Bacia
do Mediterrâneo, na Índia, no Paquistão,
no Marrocos e na Argentina. Seus grãos eram usados
picados pelos egípcios, no ungüento que preparavam
para embalsamar os mortos. Foi cultivado como planta forrageira
pelos romanos e, mil anos depois, usado nos jardins imperiais
de Carlos Magno. Os grãos amarelo-marrons lisos e
duros são atravessados por um sulco; parecem pedrinhas
pequeninas de 3 a 5 mm. O perfume condimentado que a planta
exala só é sentido nos grãos se estes
forem torrados antes de moer. O feno-grego já em
pó, vendido no comércio, não é
tão bom; o melhor é moer os grãos na
hora. Na Índia, onde o seu uso é muito freqüente,
os grãos, depois de tostados, são usados no
cozimento de legumes ricos e feculentos, passando um leve
sabor amargo e um cheiro pronunciado. Grãos germinados
podem ser comidos como salada. Para fazer o cemen, especialidade
usada na culinária dos povos que habitam a Capadócia,
misitura-se feno-grego moído na hora com pimentões
vermelhos e alho.
Algumas curiosidades sobre esse tempero; foram os antigos
gregos que acharam por acaso uma semente curativa no monte
de feno. Conta a história que os agricultores gregos,
na esperança de tornar seu feno embolorado e rançoso,
mais palatável para seus cavalos, temperavam a coisa
com punhados de uma plantinha verde que tinha cheiro de
aipo. Os animais doentes, principalmente aqueles com estômagos
inflamados e intestinos irritados, logo mostravam sinais
de estarem melhores e passavam a ter bom apetite. Espalhou-se
que aquela mistura de plantas era a melhor maneira de levar
uma vaca ou cavalo ao feno e fazer com que comessem.Logo,
a mistura de feno veio a ser chamada de Greek Hay, feno
grego que, mais tarde consagrou o nome: fenugreek.
Não levou muito tempo para que os doutores começassem
a separar a planta para descobrir o que a fazia tão
atraente. Quando retiraram as sementes carnudas da planta,
de sua vagem estreita e as mergulharam na água, as
sementes se tornaram pegajosas e grudentas. Talvez, pensaram
os doutos, essas sementes façam a mesma coisa quando
atingem o estômago e talvez, só talvez, devam
suavizar e curar os tecidos inflamados.
Nada de talvez. As sementes do feno grego fazem exatamente
isso e muito mais. As pesquisas posteriores demonstraram
que essa sementinha tem alguns dos usos mais diversos sobre
a face da terra. Um de seus principais usos é como
limpador eficiente da zona de excreção. Essa
zona inclui os sinus, os pulmões, rins e intestinos.
Muitas doenças crônicas são agravadas
por uma zona excretora obstruída. Doenças
relativas a problemas respiratórios (tal como a bronquite
crônica), além da diverticulite e da prisão
de ventre, foram relacionadas com uma ou mais dessas áreas
obstruídas pelo muco tóxico e pesado.
O muco pode não parecer nada demais, mas é.
As pessoas que ingerem muitos laticínios, açúcar,
alimentos processados e farináceos, estão
sem querer construindo um santuário para o Rei Muco.
O muco pode ir se formando durante anos e nem sempre é
eliminado pela tosse. Ele se estabelece nas várias
regiões da zona de excreção e é
um campo fértil para infecções.
Os antibióticos podem matar a infecção,
mas geralmente não fazem nada para eliminar o problema
principal: o muco. É aí que o feno grego atua.
Essa planta, não apenas trabalha para desalojar o
muco tóxico, como também deixa uma camada
suavizante de alívio nas áreas inflamadas.
Além disso, o feno grego limpa todas as áreas
da zona eliminatória, principalmente os rins. A dose
normal para descarregar o muco é de uma cápsula
3 vezes ao dia, ou de 1 a 3 xícaras diárias
do chá, fervendo lentamente duas colheres (chá)
das sementes em 10 xícaras de água destilada
por 10 minutos. Pode-se adicionar mel para adoçar
a mistura, não açúcar. Algumas pessoas
preferem não coar as sementes do chá, mastigando-as
e engolindo-as. Quando as sementes estiverem embebidas até
ficarem bem macias, isso deve ajudar na descarga de mais
muco.
Essas sementes podem fazer muito mais. Pesquisas recentes
levaram à conclusão de que o feno grego tem
um elevado grau de proteína lecitina, vitaminas A,
B e C, minerais (ferro e cálcio principalmente),
além de vários aminoácidos que incluem
lisina, trytophan, leucina, histidina e arginina. Possuem
também a recém descoberta capacidade de reduzir
a glucose do sangue e baixar os níveis de colasterol.
Isso foi descoberto quando cachorros híbridos da
cidade francesa de Villemoisson-sur-Orge, tiveram incluídas
em sua ração padrão, sementes de feno
grego, durante oito meses. Os exames de sangue demonstraram
que as sementes de feno grego contribuíram exclusivamente
para baixar o açúcar e o colasterol do sangue
dos animais. Agora os cientistas propõe tomar de
2 a 3 comprimidos de feno grego quando se come comidas gordurosas,
pois podem ajudar a dissolver e eliminar essa gordura.
Em Curitiba, na famosa clínica Oásis de naturopatia
dos Adventistas vegetarianos, tem havido curas incríveis
de câncer, em especial de mama, usando feno grego
tembém em emplastros curativos.
Outro importante uso do feno grego é como auxiliar
hormonal. Homens e mulheres podem se beneficiar. Na China,
por exemplo, o feno grego é dado a homens que sofrem
de impotência. Na Ásia e no Oriente Médio
a planta é conhecida como afrodisíaco. Se
vai ou não funcionar depende da química entre
as pessoas, mas o feno grego já demonstrou que aquece
os órgãos reprodutores de homens e mulheres.
As mulheres, no entanto, precisam de cautela na sua utilização.
Aumenta a fertilidade e traz efeitos variados. Aumenta o
leite materno, torna a menstruação mais rápida,
diminui os calores e a depressão da menopausa. É
uma fonte natural de cálcio e ferro, dois minerais
importantes para as mulheres mas deve ser evitado pelas
mulheres grávidas. Sua ingestão não
deve ultrapassar de 2 a 3 xícaras de chá diárias,
suficientes para nutrir as glândulas, equilibrar o
açúcar no sangue, eliminar gorduras e até
aumentar a libido.
Obviamente essa sementinha tem mil e uma utilidades. Aqueles
gregos antigos não tinham idéia de onde chegariam,
quando misturaram feno grego ao alimento dos seus animais.